terça-feira, 24 de maio de 2011

Ben "Yahtzee" Croshaw , The Man aka John Defoe Quadrilogy

WARNING : Este "artigo" não vai entrar em grande detalhe sobre os jogos de forma a não spoilar a história.

O Adventure Game Studio é um pequenito programa de software que é usado para criar (ou recriar) aquele velho género de jogos que é o "point and click adventure".
Ben Croshaw , nicknamed "Yahtzee", é um escritor de comédia , jornalista de videojogos e programador de software.

O que acontece quando se mistura os dois ?  Uma das melhores narrativas feitas para um jogo.


Presenting the "John Defoe Quadrilogy", in the order the games are meant to be played :

http://www.rockpapershotgun.com/images/oct07/5days2.jpg

http://www.fullyramblomatic.com/images/7days.jpg


http://rpgdownloads.org/wp-content/uploads/2010/11/trilbys-notes.png

http://img.listal.com/image/1074404/600full-6-days-a-sacrifice-artwork.jpg

"I don't have a name .
I used to have one, and a lot of people would like to know what it is.
Some call me Trilby, and as a name it suffices.
I've been called many things.
A burlgar, a hoodlum, a criminal...
I prefer to think of myself as a gentleman thief.
And tonight, I've something potentially very rewarding in store.
My fence phones me in the middle of the night and asks if I know about Defoe manor.
Apparently, the last of the Defoe line has oblingingly died without heirs, leaving all the family valuables up for grabs.
The lawyers have got the place locked up tight, of course, but that's never stopped me before.
And the place is, of course, deserted.
Yes, this should be a painless and rewarding evening's entertainment."

E é neste pequeno diálogo, que aparece no começo do primeiro jogo "5 days a Stranger", que nos é introduzida a personagem principal , Trilby. Um "cat burglar" que recolheu informação sobre objectos valiosos numa mansão "abandonada". Mistério, intriga , ficção científica e cultos secretos estão todos presentes ao longo destes 4 retro-games.
A narrativa só começa de facto a mostrar os seus trunfos com o "Trilbys Notes" em que todas as peças do puzzle começam a encaixar , e com o final "6 Days a Stranger" todos os fios condutores ficam resolvidos num clímax "torce-cabeças".
Numa nota muito positiva , nenhum destes jogos tem a "infamosa" dificuldade do género point and click, conseguindo manter um nivel moderado, que puxa pelo jogador mas raramente atingindo a frustração.
E ainda não contei a melhor coisa ! Estes 4 jogos , são .... *drum roll* COMPLETAMENTE GRÁTIS !!!
 Portanto experimentá-los não vos vai custar um cêntimo !
Para finalizar , mesmo que detestem este género de jogos , mesmo que não suportem os gráficos , mesmo que o soundtrack 16 bits vos mate os ouvidos , façam download destes jogos. Valem a pena só pelo magnífico arco narrativo.

Pontuação :
Jogabilidade e Gráficos : 7 . Cumprem a sua tarefa primitiva dando um estilo retro ao jogo.
História : 10 . Uma narrativa cheia de intriga e mistério . Fantástica.

LINKS PARA OS DOWNLOADS : 

5 DAYS A STRANGER : http://www.acid-play.com/getfile/497/11755

7 DAYS A SKEPTIC : http://www.acid-play.com/getfile/501/11769

TRILBY'S NOTES : http://www.pixelrage.org/download/Trilbys-Notes--Full-game--Free-Download/download4007.html

6 DAYS A SACRIFICE : Cliquem onde diz "Actually just download it for free now" http://www.fullyramblomatic.com/6days/

segunda-feira, 9 de maio de 2011

10 for a 10

Quick and simple  : 10 álbuns aos quais eu dava um 10.0 , por ordem alfabética ,com a pequena regra de não repetir bandas/artistas e com um breve comentário a cada um.


Arcade Fire - Funeral 
Baroque Pop

 O primeiro LP dos Arcade Fire é pura nostalgia ,uma reflexão sobre a infância e a adolescência, ao longo de 10 músicas.
  
Neighborhood #1 (Tunnels)
 




 
Linda Martini - Olhos de Mongol
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiY2DwdEw6JsPYRriBv3-nu75GuJ7xbQI4asZk9azhWrIeMSWtYKZrRk8LgD1zJgTMAewS6ITfNRPd_RP9KHw8gYdGjzl9kvduFnL6oTpOw_FJ_zyJOYoIVMmpEbnUYRw60uFtzOEPPE1M/s400/olhos+de+mongol.jpg
 Prog. Rock/ Post. Rock

Um hino português aos Sonic Youth , com uma única intersecção base : a qualidade musical.

 A Severa (Ver de Perto)






My Bloody Valentine - Loveless
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhheZnD8iZpkdf-GLuuF4J_b6_9ffcp0-rlYv-4EriWP-KX-_2XJJq1QbQvq4Squ8y2dHXS058i-h5C7qC1e3O1O_xk20yGcCQnwgj0Z7yxUsefkRJ-x7EE6hJyY7N8uuzJ9hrlnBqSYndg/s400/MyBloodyValentine-Loveless.jpg
Shoegazing

Um álbum que posso ouvir a qualquer altura sem me cansar . Positivo , melancólico , gentil e acima de tudo genial.

 Soon






Nirvana - In Utero
 http://4.bp.blogspot.com/-5fWKUxCAaRA/TWT3eOwZC2I/AAAAAAAABbw/MzDLe2_qxVo/s1600/Nirvana_In_Utero_album_cover.jpg 
Grunge

Energia pura e músicas cruas , cobertas pelo grito existencial do Kurt Cobain. Uma experiência sónica bruta.

Tourette's






Portishead - Dummy
Trip hop

A voz da Beth Gibbons é deliciosa . Um álbum súbtil nas primeiras audições , mas que rapidamente se apodera do ouvinte.

Mysterons






Radiohead - Kid A 
Avant-Garde , Alternative Rock

O meu álbum preferido de sempre . A emoção flui como um rio em direcção ao mar. Mudou a maneira como eu oiço música.

How to Disappear Completely






Smashing Pumpkins - Siamese Dream
 File:SmashingPumpkins-SiameseDream.jpg 
Alternative Rock , Prog, Rock , Grunge

 Letras melancólicas e riffs poderosos , um hino ao song writing e à perfeição técnica.
  
Geek U.S.A






The Strokes - Is This It
Garage Rock

Um álbum refrescante , numa época de música rock gasta. Riffs de guitarra memoráveis e uma voz hipnotizante.

Someday






Weezer - Weezer (Blue Album)
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/4/4f/Weezer_-_Blue_Album.jpg 
Alternative Rock, Power Pop

Super catchy ! Diversão pura e letras que evocam os tempos de adolescência sem nunca roçar o cliché ou o "cheesy".  Recomendo a todos que queiram música alegre.

Buddy Holly






Wilco - Yankee Hotel Foxtrot
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/4/47/WilcoYankeeHotelFoxtrot.jpg 
Indie Folk , Americana, Alternative Rock

Jeff Tweedy é um dos meus cantores preferidos . Triste e tocante , com camadas de som que se complementam brilhantemente.

War on War


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Radiohead - The King of Limbs


Ai Radiohead , Radiohead ... o que dizer sobre eles que ainda não foi dito ? Revolucionários ? Mestres musicais ? Uma grande fonte para alimentar o "cospe-veneno" que é o Liam Gallagher ? Tudo isto é verdade , mas será que se aplica ao oitavo LP da banda "The King of Limbs" ?
Os camaleões da música atacam de novo ! Suceder ao "In Rainbows" , de 2007 , nao era de todo tarefa fácil e os Radiohead usaram a sua "metodologia" habitual : esquecer tudo o que gravaram para o álbum anterior e ter uma aproximação totalmente fresca e inovadora para o processo de gravação. O resultado ? Bem , explicando por miúdos , peguem na faixa "The Gloaming" do álbum "Hail to the Thief" , misturem isto com o "Amnesiac" e com o álbum a solo do Thom Yorke (vocalista dos Radiohead) "The Eraser" e voilá !!! "The King of Limbs" is born.
A coisa mais imediata do álbum é o uso agressivo de loops e samples na grande maioria das apenas 8 faixas. Faixas como "Morning Mr. Magpie" repetem até à exaustão certos "motifs" musicais, tornando-as até cansativas ao ouvido. Apesar disto há alturas em que os loops resultam , como por exemplo, na faixa "Separator". O "swing" entre os loops de drums , o baixo , a  guitarra "no background" (que é das únicas vezes do álbum que ouvimos de facto Jonny Greenwood a tocar) e a voz ecoante do Thom Yorke criam um ambiente único.
O álbum tem um bom fluxo , com a maioria dos loops concentrados na primeira parte do mesmo e com a segunda parte a dar uma "pausa" ao ouvinte com duas baladas : "Codex", na qual quero dar destaque ao grande trabalho de instrumentos sopro e corda que aparecem a meio da música, e "Give up the ghost". Apesar disto , até a faixa "Give up the Ghost" contém um "loop" vocal repetindo durante toda a música "Dont Hurt me/Don't Haunt me", funcionando bem nos primeiros instantes mas, acabando, com sucessivas audições , inevitavelmente , por cair na repetição.
O primeiro single deste LP, "Lotus Flower" e a faixa de abertura, "Bloom", são as melodias mais fortes do álbum. A voz , e a forma como o Thom atinge as notas altas no "Lotus Flower" é arrepiante e o crescendo e as camadas de instrumentos que se sobrepõem no "Bloom" é "eargasmic".
As letras são o clássico Radiohead-doomy-gloomy-old-russian-novel-its-anyones-guess, portanto nem me vou atrever a pronunciar sobre elas.
Apesar das repetições, a grande falha do álbum é a sua duração . Este LP com 8 faixas e apenas 37 minutos é o mais curto da carreira dos Radiohead e faixas "fillers" como o "Feral", que apesar de ser uma experiência agradável, soa-me a música inacabada, não têm lugar num álbum deste tamanho.
No final de um LP em que a palavra-chave é definitivamente repetição, ficamos com um gosto amargo na boca , um "saber a pouco" dificilmente superado por sucessivas audições do mesmo. Será este um álbum terrível ? Longe disso ! Mas não há nada aqui que tenha o impacto emocional de um "Ok Computer" , de um "Kid A" ou até de um "In Rainbows".

Faixas Preferidas : "Bloom" , "Lotus Flower", "Codex", "Separator"
Pontuação : 7.4

Bloom
 
 Codex


 Separator