Decidi começar a fazer uma série de audio reviews e que outra forma de começar se não com um dos meus álbums preferidos ? Audio Review 1 by Qio
Esqueci-me de referir neste review que este álbum é defenitivamente um "grower". É daqueles que não apanhamos nas primeiras audições mas que depois adoramos... pelo menos aconteceu comigo. Demora tempo a fazer o seu efeito , mas quando faz é forte : it's like a bomb with a slowfuse. One day it just goes BOOM.
Ele olhou-se ao espelho . O sangue jorrava do topo da sua cabeça caindo pelas fissuras capilares , escorrendo pelo seu rosto e pingando no chão de mármore. Os seus olhos , antes ansiosos , agora acalmavam-se, numa subtileza espectral. Os seus sentidos dissolviam-se , afogando-se no próprio líquido que lhes dava vida. Toda a situação possuía uma certa beleza macabra, um encanto místico , um voyeurismo quase roçando um quaquer fetiche sexual para lá do compreensível . Sentia-se um estranho a ver de fora o seu corpo , muito provavelmente devido aos intermitentes lapsos de consciência. Um cheiro apodrecido estava no ar, um odor necrofilico : Sexo e morte. Uma premonição.
Deitou-se no chão tomado por um cansaço sobrenatural. Tinha frio ... o mármore sempre fora uma pedra fria . Tomando uma posição fetal ele tentava conservar algum calor . O seu corpo roçava no seu próprio sangue . Estava nu. A parede tinha dedadas ensaguentadas da sua descida ao mármore e o chão era quase uma poça.
Ouvindo um zumbido o rapaz fechou os olhos e respirou fundo.
Eventualmente uma gota caiu na boca do rapaz . Saboreou-a com a língua.
Sabia a ferro.
Não estou particularmente triste , mas nunca achei que em momentos de tristeza se devem ouvir músicas alegres ou "uplifting" . A tristeza merece ser partilhada e nada melhor que isto do que uma música que reflecte aquilo que sentimos . Escolhi 10 das minhas predilectas nos meus momentos de desespero, sem qualquer ordem de preferência , enjoy :
Fleet Foxes - Tiger Mountain Peasant Song
"Dear Shadow alive and well,
How can the body die ? You tell me ,
Everything , Anything,
True."
Sufjan Stevens - Casimir Pulaski Day
"In the morning in the winter shade
On the first of March on the holiday
I thought I saw you breathing"
Radiohead - No Surprises
"I'll take a quite life , a handshake of carbon monoxide"
Wilco - Ashes of American Flags
Neutral Milk Hotel - Two Headed Boy Part 2
"In my dreams you're alive and you're crying
As your mouth moves in mine, soft and sweet
Rings of flowers around your eyes and I'll love you
For the rest of your life"
Alice in Chains - Nutshell
"And yet I find , yet I find ,
repeating in my head ...
If i can't be my own , I'd feel better dead"
Blind Pilot - 3 Rounds and a Sound
"Now I see you, til kingdom come
You're the one I want
To see me
For all the stupid shit I've done"
Pearl Jam - The End
"More than friends, I always pledge,
cause friends, they come and go.
People change as does everything.
I wanted to grow old.
Just want to grow old"
Gary Jules - Mad World
"Hide my head i want to drown my sorrows
No tomorrow , no tomorrow ..."
Jeff Buckley - Hallelujah
"Well maybe there is a God above
But all I've ever learned from love
Was how to shoot somebody who outdrew you
And it's not a cry you that hear at night
It's not somebody who's seen the light
It's a cold and it's a broken Hallelujah"
Wilco - Ashes of American Flags
"The cash machine, is blue and green
For a hundred in twenties and a small service fee
I can spend 3 dollars and 63 cents
On diet Coca Cola and unlit cigarettes
I wonder why we listen to poets and nobody gives a fuck
How hot and sorrowful this machine begs for luck
All my lies are always wishes
I know I would die if I could come back new
I want a good life with a nose for things
A fresh wind and bright skies To enjoy my sufferings
A hole without a key if I break my tongue
Speaking of tomorrow, how will it ever come
All my lies are only wishes
I know I would die if I could come back new
I'm down on my hands and knees every time the doorbell rings
I shake like a toothache when I hear myself sing
All my lies are always wishes
I know I would die if I could come back new
I would like to salute the ashes of American flags
And all the falling leaves filling up shopping bags"
Deus. The Million Dollar question . The Big Kahuna . O assunto que mais debate apresenta à face do planeta Terra. Deus existe ? Deus não existe ? Todos os grandes filósofos da história se debatarem sobre esta questão e eu como filósofo amador (LOL) gostava de apresentar a minha opinião.
Para começar gostava de apresentar um argumento usado por Santo Anselmo de Cantuária em 1078. Nas palavras de Anselmo, é possível conceber um ser maior do que o qual nada se possa pensar. Até um ateu consegue conceber um tal ser superlativo, embora negue a sua existência no mundo real. Mas, segundo o argumento, um ser que não existe no mundo real é, por isso mesmo, menos do que perfeito. Assim temos uma contradição - et voilà, Deus existe!
À primeira vista o argumento parece perfeito e irrefutável mas será mesmo que um mero jogo de léxico poderá provar a existência de um ser superior no cosmos ? Se a resposta for sim há uma ponte que liga o puro pensamento à existência das coisas o que parece algo .... não absurdo , mas descabido talvez.
A refutação de tal argumento não é tarefa fácil mas parece-me que Immanuel Kant colocou o prego no caixão quando afirmou : "O truque na manga de Anselmo é o capcioso pressuposto de que a "existência" é mais "perfeita" do que a não existência. A doutrina segundo a qual a existência é perfeição é extraordinariamente bizarra. Faz sentido , e é verdade, dizer-se que a minha futura casa será melhor se tiver isolamento do que se não o tiver; mas o que significará dizer que é uma casa melhor se existir do que se não existir?".
Este argumento não vem só , dezenas de argumentos filosóficos , como as provas de Tomás de Aquino , tentam demonstrar pelo meio do pensamento a existência de uma divindade. Também temos os argumentos da experiência pessoal , em que pessoas afirmam ter sentido Deus ou visto a Virgem Maria , ou argumentos de cientistas famosos que acreditavam em Deus , como Newton. Temos até pessoas que acreditam em Deus porque o livro sagrado da sua religião (Bíblia ou Corão por exemplo), diz que Deus existe , e como o livro sagrado não mente , isto tem de ser verdade ,formando um argumento mais circular que a rotunda do Marquês de Pombal.
Mas sem dúvida o melhor argumento a favor da existência de Deus é um retorno ad infinitum universal: Eu, a minha cidade , o meu país , o meu planeta , o sistema solar , a via láctea , o superenxame , o universo e o Big Bang ... e depois ? O nada criou o tudo ? Terá sido um processo natural que desconhecemos em que a Natureza se criou a ela própria ?
Este argumento é de longe o mais forte e há um video do qual gosto muito sobre isto , e sim tenho a consciência que a segunda metade do vídeo é so propaganda cristã mas na primeira parte o argumento é muito forte :
Quando falamos de argumentos contra a existência de Deus há um base : a falta de prova . Não cabe ao descrente provar que não existe PORQUE ISSO É IMPOSSÍVEL , mas cabe sim ao crente provar que existe.Ninguém acredita em unicórnios , fadas ou duendes mas será possível provar que nunca no Universo alguma vez existiu tal coisa que corresponde às características de uma fada ? Não e o mesmo se aplica a Deus.
Outro não crentes apontam para as inconsistências científico/históricas dos livros sagrados das religiões de forma a provar a não omnisciência do Deus dessa religião . Por exemplo a Bíblia afirma que a Terra tem 6000 anos de existência , quando na verdade através da datação radiométrica de isótopos rochosos descobrimos que terá sensivelmente 4 biliões de anos, mas isto só desprova UMA propriedade de UM Deus de UMA religião. A teoria da evolução (usando a palavra teoria meramente numa forma flutuante), apesar de não incompativel com um Deus criador , não se adapata, como o criacionismo, à existência de um Deus.
Provar a existência de uma entidade e as suas propriedades é e sempre será IMPOSSÍVEL. Digo isto com todas as letras.
Uma pessoa no futuro pode investigar todos metros quadrados do Universo e não descobrir nenhum Deus dizendo :"AH AH ! Deus não existe" e o crente dirá "Deus é imaterial" ou " Deus vive noutra dimensão" etc...
Eu como ser racional que sou não tenho remédio sem ser agnóstico. Eu acredito (talvez num acto de fé até) que há coisas para lá das capacidades racionais humanas ; acredito que nunca vamos saber tudo e que não é esse o nosso papel no Universo.
Talvez compreender Deus seja equivalente ao nosso cão a tentar compreender-nos a nós.
Então como é que é possível alguém tomar uma posição que não o agnosticismo? Será Fé ? Será por necessidade ?
WARNING : Este "artigo" não vai entrar em grande detalhe sobre os jogos de forma a não spoilar a história.
O Adventure Game Studio é um pequenito programa de software que é usado para criar (ou recriar) aquele velho género de jogos que é o "point and click adventure".
Ben Croshaw , nicknamed "Yahtzee", é um escritor de comédia , jornalista de videojogos e programador de software.
O que acontece quando se mistura os dois ? Uma das melhores narrativas feitas para um jogo.
Presenting the "John Defoe Quadrilogy", in the order the games are meant to be played :
"I don't have a name .
I used to have one, and a lot of people would like to know what it is.
Some call me Trilby, and as a name it suffices.
I've been called many things.
A burlgar, a hoodlum, a criminal...
I prefer to think of myself as a gentleman thief.
And tonight, I've something potentially very rewarding in store.
My fence phones me in the middle of the night and asks if I know about Defoe manor.
Apparently, the last of the Defoe line has oblingingly died without heirs, leaving all the family valuables up for grabs.
The lawyers have got the place locked up tight, of course, but that's never stopped me before.
And the place is, of course, deserted.
Yes, this should be a painless and rewarding evening's entertainment."
E é neste pequeno diálogo, que aparece no começo do primeiro jogo "5 days a Stranger", que nos é introduzida a personagem principal , Trilby. Um "cat burglar" que recolheu informação sobre objectos valiosos numa mansão "abandonada". Mistério, intriga , ficção científica e cultos secretos estão todos presentes ao longo destes 4 retro-games.
A narrativa só começa de facto a mostrar os seus trunfos com o "Trilbys Notes" em que todas as peças do puzzle começam a encaixar , e com o final "6 Days a Stranger" todos os fios condutores ficam resolvidos num clímax "torce-cabeças".
Numa nota muito positiva , nenhum destes jogos tem a "infamosa" dificuldade do género point and click, conseguindo manter um nivel moderado, que puxa pelo jogador mas raramente atingindo a frustração.
E ainda não contei a melhor coisa ! Estes 4 jogos , são .... *drum roll* COMPLETAMENTE GRÁTIS !!!
Portanto experimentá-los não vos vai custar um cêntimo !
Para finalizar , mesmo que detestem este género de jogos , mesmo que não suportem os gráficos , mesmo que o soundtrack 16 bits vos mate os ouvidos , façam download destes jogos. Valem a pena só pelo magnífico arco narrativo.
Pontuação :
Jogabilidade e Gráficos : 7 . Cumprem a sua tarefa primitiva dando um estilo retro ao jogo.
História : 10 . Uma narrativa cheia de intriga e mistério . Fantástica.
LINKS PARA OS DOWNLOADS :
5 DAYS A STRANGER : http://www.acid-play.com/getfile/497/11755
7 DAYS A SKEPTIC : http://www.acid-play.com/getfile/501/11769
TRILBY'S NOTES : http://www.pixelrage.org/download/Trilbys-Notes--Full-game--Free-Download/download4007.html 6 DAYS A SACRIFICE : Cliquem onde diz "Actually just download it for free now" http://www.fullyramblomatic.com/6days/
Quick and simple : 10 álbuns aos quais eu dava um 10.0 , por ordem alfabética ,com a pequena regra de não repetir bandas/artistas e com um breve comentário a cada um.
Arcade Fire - Funeral
Baroque Pop
O primeiro LP dos Arcade Fire é pura nostalgia ,uma reflexão sobre a infância e a adolescência, ao longo de 10 músicas.
Neighborhood #1 (Tunnels)
Linda Martini - Olhos de Mongol
Prog. Rock/ Post. Rock
Um hino português aos Sonic Youth , com uma única intersecção base : a qualidade musical.
A Severa (Ver de Perto)
My Bloody Valentine - Loveless
Shoegazing
Um álbum que posso ouvir a qualquer altura sem me cansar . Positivo , melancólico , gentil e acima de tudo genial.
Soon
Nirvana - In Utero
Grunge
Energia pura e músicas cruas , cobertas pelo grito existencial do Kurt Cobain. Uma experiência sónica bruta.
Tourette's
Portishead - Dummy
Trip hop
A voz da Beth Gibbons é deliciosa . Um álbum súbtil nas primeiras audições , mas que rapidamente se apodera do ouvinte.
Mysterons
Radiohead - Kid A
Avant-Garde , Alternative Rock
O meu álbum preferido de sempre . A emoção flui como um rio em direcção ao mar. Mudou a maneira como eu oiço música.
How to Disappear Completely
Smashing Pumpkins - Siamese Dream
Alternative Rock , Prog, Rock , Grunge
Letras melancólicas e riffs poderosos , um hino ao song writing e à perfeição técnica.
Geek U.S.A
The Strokes - Is This It
Garage Rock
Um álbum refrescante , numa época de música rock gasta. Riffs de guitarra memoráveis e uma voz hipnotizante.
Someday
Weezer - Weezer (Blue Album)
Alternative Rock, Power Pop
Super catchy ! Diversão pura e letras que evocam os tempos de adolescência sem nunca roçar o cliché ou o "cheesy". Recomendo a todos que queiram música alegre.
Buddy Holly
Wilco - Yankee Hotel Foxtrot
Indie Folk , Americana, Alternative Rock
Jeff Tweedy é um dos meus cantores preferidos . Triste e tocante , com camadas de som que se complementam brilhantemente.
Ai Radiohead , Radiohead ... o que dizer sobre eles que ainda não foi dito ? Revolucionários ? Mestres musicais ? Uma grande fonte para alimentar o "cospe-veneno" que é o Liam Gallagher ? Tudo isto é verdade , mas será que se aplica ao oitavo LP da banda "The King of Limbs" ?
Os camaleões da música atacam de novo ! Suceder ao "In Rainbows" , de 2007 , nao era de todo tarefa fácil e os Radiohead usaram a sua "metodologia" habitual : esquecer tudo o que gravaram para o álbum anterior e ter uma aproximação totalmente fresca e inovadora para o processo de gravação. O resultado ? Bem , explicando por miúdos , peguem na faixa "The Gloaming" do álbum "Hail to the Thief" , misturem isto com o "Amnesiac" e com o álbum a solo do Thom Yorke (vocalista dos Radiohead) "The Eraser" e voilá !!! "The King of Limbs" is born.
A coisa mais imediata do álbum é o uso agressivo de loops e samples na grande maioria das apenas 8 faixas. Faixas como "Morning Mr. Magpie" repetem até à exaustão certos "motifs" musicais, tornando-as até cansativas ao ouvido. Apesar disto há alturas em que os loops resultam , como por exemplo, na faixa "Separator". O "swing" entre os loops de drums , o baixo , a guitarra "no background" (que é das únicas vezes do álbum que ouvimos de facto Jonny Greenwood a tocar) e a voz ecoante do Thom Yorke criam um ambiente único.
O álbum tem um bom fluxo , com a maioria dos loops concentrados na primeira parte do mesmo e com a segunda parte a dar uma "pausa" ao ouvinte com duas baladas : "Codex", na qual quero dar destaque ao grande trabalho de instrumentos sopro e corda que aparecem a meio da música, e "Give up the ghost". Apesar disto , até a faixa "Give up the Ghost" contém um "loop" vocal repetindo durante toda a música "Dont Hurt me/Don't Haunt me", funcionando bem nos primeiros instantes mas, acabando, com sucessivas audições , inevitavelmente , por cair na repetição.
O primeiro single deste LP, "Lotus Flower" e a faixa de abertura, "Bloom", são as melodias mais fortes do álbum. A voz , e a forma como o Thom atinge as notas altas no "Lotus Flower" é arrepiante e o crescendo e as camadas de instrumentos que se sobrepõem no "Bloom" é "eargasmic".
As letras são o clássico Radiohead-doomy-gloomy-old-russian-novel-its-anyones-guess, portanto nem me vou atrever a pronunciar sobre elas.
Apesar das repetições, a grande falha do álbum é a sua duração . Este LP com 8 faixas e apenas 37 minutos é o mais curto da carreira dos Radiohead e faixas "fillers" como o "Feral", que apesar de ser uma experiência agradável, soa-me a música inacabada, não têm lugar num álbum deste tamanho.
No final de um LP em que a palavra-chave é definitivamente repetição, ficamos com um gosto amargo na boca , um "saber a pouco" dificilmente superado por sucessivas audições do mesmo. Será este um álbum terrível ? Longe disso ! Mas não há nada aqui que tenha o impacto emocional de um "Ok Computer" , de um "Kid A" ou até de um "In Rainbows".
Descobri este álbum muito recentemente. Demasiado recentemente para meu gosto até .
Os Neutral Milk Hotel eram um quarteto Americano de Indie Folk que lançaram dois álbums e um EP durante a década de 90 , tendo acabado depois do lançamento de "In the Aeroplane Over the Sea". O EP , Everything Is (1994), e o primeiro álbum , On Avery Island (1996), passaram praticamente ao lado do panaroma musical da altura potencialmente pela saturação do mercado por títulos Grunge na primeira metade da década de 90.
O mais imediato para mim neste álbum foi a voz do vocalista Jeff Mangum . O alcance vocal , e a emoção transmitidas pela mesma são de facto arrepiantes. Outro aspecto imediato é a dualidade Lo-Fi , com uma distorção fortíssima , e as músicas acústicas mais suaves, embelezadas pela voz do Jeff, tornando o álbum muito versátil. É de notar também o excelente trabalho de Scott Spillan na secção de instrumentos de sopro, como a trompa.
O álbum flui extraordinariamente bem do princípio ao fim , devido às capacidades de composição do Jeff Mangum que compôs todo o álbum sozinho (com a excepção da faixa "King of Carrot Flowers Parts 2 & 3"). Esta fluidez é também vivida nas pequenas faixas de "transposição" entre as grandes ideias do álbum . Pequenas faixas estas como "The Fool" ou "Communist Daughter" são deliciosas e enriquecem a experiência do álbum.
Abstive-me até agora de tocar na minha parte preferida do álbum : as letras.
Apesar de , sem dúvida , o lirismo do álbum ser muito abstracto e pessoal , o grande consenso entre os fãs é que as letras falam de Anne Frank , a jovem judia presa e morta durante a Segunda Guerra Mundial, que deixou aos vivos o seu diário dos tempos de guerra. Estas provas estão por exemplo nas faixas "Holland , 1945" ( "The only girl I've ever loved/Was born with roses in her eyes/But then they buried her alive /One evening 1945/With just her sister at her side") ou no épico acústico de 8 minutos que é a faixa "Oh Comely" ("And I know they buried her body with others,/Her sister and mother and five-hundred families./And will she remember me fifty years later?/I wished I could save her in some sort of time machine.")
Pelo que consta Jeff Mangum terá lido este diário depois do lançamento de "On Avery Island" e esta obra literária abalou o seu processo lírico e criativo. É possível observa-se nas letras uma transparência amorosa , uma paixão por este "fantasma", um desejo para lá do plano Terrestre que Jeff tem como nada do que eu tenha visto. Todas as letras tornam-se comoventes para o ouvinte, sentindo a dor do Jeff , que na última faixa do álbum "Two Headed Boy Part 2" se apercebe que aquilo que ama nunca passará de um fantasma , de um espectro.
Este LP é incrivelmente simples às primeiras audições, quase evocando uma nostalgia perdida, mas torna-se cada vez mais rico e complexo com cada audição , o que motiva o ouvinte a querer continuar a ouvi-lo. Com um arranjo extraordinário , letras tocantes , um cantor fenomenal , uma dualidade incrível e uma fluidez invejável, este álbum torna-se uma verdadeira obra-prima , que recomendo a qualquer amante de música. Atrever-me-ia até a coloca-lo no mesmo patamar que , as consideradas , grandes obras da década 90 , como o Ok Computer" dos Radiohead , o "Nevermind" dos Nirvana , o "Loveless" dos My Bloody Valentine e o "Ten" dos Pearl Jam.
Faixas Preferidas : "Two Headed Boy" , "Holland, 1945", "Oh Comely", "Two Headed Boy Part 2" Pontuação : 10.0
Olá a quem leia isto .
Desde há bastante tempo atrás tenho tido uma crescente vontade de fazer um blog puramente dedicado à critica. Crítica do quê ? Tudo no geral . Passando pela música e pelo cinema e qualquer coisa que me venha à cabeça.
Aceito de bom grado e farei todos os possiveis para falar sobre qualquer coisa que me peçam , seja isso discos , filmes , museus ... o que for .