quarta-feira, 27 de abril de 2011

Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane over the Sea


Descobri este álbum muito recentemente. Demasiado recentemente para meu gosto até .
Os Neutral Milk Hotel eram um quarteto Americano de Indie Folk que lançaram dois álbums e um EP durante a década de 90 , tendo acabado depois do lançamento de "In the Aeroplane Over the Sea". O EP , Everything Is (1994), e o primeiro álbum , On Avery Island (1996), passaram praticamente ao lado do panaroma musical da altura potencialmente pela saturação do mercado por títulos Grunge na primeira metade da década de 90.
O mais imediato para mim neste álbum foi a voz do vocalista Jeff Mangum . O alcance vocal , e a emoção transmitidas pela mesma são de facto arrepiantes. Outro aspecto imediato é a dualidade Lo-Fi , com uma distorção fortíssima , e as músicas acústicas mais suaves, embelezadas pela voz do Jeff, tornando o álbum muito versátil. É de notar também o excelente trabalho de Scott Spillan na secção de instrumentos de sopro, como a trompa.
O álbum flui extraordinariamente bem do princípio ao fim , devido às capacidades de composição do Jeff Mangum que compôs todo o álbum sozinho (com a excepção da faixa  "King of Carrot Flowers Parts 2 & 3"). Esta fluidez é também vivida nas pequenas faixas de "transposição" entre as grandes ideias do álbum . Pequenas faixas estas como "The Fool" ou "Communist Daughter" são deliciosas e enriquecem a experiência do álbum.
Abstive-me até agora de tocar na minha parte preferida do álbum : as letras.
Apesar de , sem dúvida , o lirismo do álbum ser muito abstracto e pessoal , o grande consenso entre os fãs é que as letras falam de Anne Frank , a jovem judia presa e morta durante a Segunda Guerra Mundial, que deixou aos vivos o seu diário dos tempos de guerra. Estas provas estão por exemplo nas faixas "Holland , 1945" ( "The only girl I've ever loved/Was born with roses in her eyes/But then they buried her alive /One evening 1945/With just her sister at her side") ou no épico acústico de 8 minutos que é a faixa "Oh Comely" ("And I know they buried her body with others,/Her sister and mother and five-hundred families./And will she remember me fifty years later?/I wished I could save her in some sort of time machine.")
Pelo que consta Jeff Mangum terá lido este diário depois do lançamento de "On Avery Island" e esta obra literária abalou o seu processo lírico e criativo. É possível observa-se nas letras uma transparência amorosa , uma paixão por este "fantasma", um desejo para lá do plano Terrestre que Jeff tem como nada do que eu tenha visto. Todas as letras tornam-se comoventes para o ouvinte, sentindo a dor do Jeff , que na última faixa do álbum "Two Headed Boy Part 2" se apercebe que aquilo que ama nunca passará de um fantasma , de um espectro.
Este LP é incrivelmente simples às primeiras audições, quase evocando uma nostalgia perdida, mas torna-se cada vez mais rico e complexo com cada audição , o que motiva o ouvinte a querer continuar a ouvi-lo. Com um arranjo extraordinário , letras tocantes , um cantor fenomenal , uma dualidade incrível e uma fluidez invejável, este álbum torna-se uma verdadeira obra-prima , que recomendo a qualquer amante de música. Atrever-me-ia até a coloca-lo no mesmo patamar que , as consideradas , grandes obras da década 90 , como o Ok Computer" dos Radiohead , o "Nevermind" dos Nirvana , o "Loveless" dos My Bloody Valentine e o "Ten" dos Pearl Jam.

Faixas Preferidas : "Two Headed Boy" , "Holland, 1945", "Oh Comely", "Two Headed Boy Part 2"
Pontuação : 10.0

Holland, 1945 


Two Headed Boy

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