domingo, 14 de agosto de 2011

Vermelho

Ele olhou-se ao espelho . O sangue jorrava do topo da sua cabeça caindo pelas fissuras capilares , escorrendo pelo seu rosto e pingando no chão de mármore. Os seus olhos , antes ansiosos , agora acalmavam-se, numa subtileza espectral. Os seus sentidos dissolviam-se , afogando-se no próprio líquido que lhes dava vida. Toda a situação possuía uma certa beleza macabra, um encanto místico , um voyeurismo quase roçando um quaquer fetiche sexual para lá do compreensível . Sentia-se um estranho a ver de fora o seu corpo , muito provavelmente devido aos intermitentes lapsos de consciência. Um cheiro apodrecido estava no ar, um odor necrofilico : Sexo e morte. Uma premonição.
Deitou-se no chão tomado por um cansaço sobrenatural. Tinha frio ... o mármore sempre fora uma pedra fria . Tomando uma posição fetal ele tentava conservar algum calor . O seu corpo roçava no seu próprio sangue . Estava nu. A parede tinha dedadas ensaguentadas da sua descida ao mármore e o chão era quase uma poça.
Ouvindo um zumbido o rapaz fechou os olhos e respirou fundo.
Eventualmente uma gota caiu na boca do rapaz  . Saboreou-a com a língua.
Sabia a ferro.

1 comentário:

  1. "Não é pessoal", mas isso não foi crítica nenhuma. :P É da tua autoria? O que aconteceu ao rapaz?

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